À noite a lua sonha com mais indolência..assim como uma bela,
que sobre o divã afaga com a mão, de leveza a inconsciência..
antes de adormecer os seios de maçã..
No dorso de cetim de tenras avalanchas..morrendo ela se entrega a longas lassidões..
e vai passeando o olhar por visionárias manchas..
que sobem pelo azul igual à florações..
Se às vezes sobre o globo entre ociosa e lasciva..
ela deixa tombar a lágrima furtiva..
inimigo do sono, poeta enfim de rastros..
no côncavo das mãos procura aprisioná-la..
e vendo-a, refulgir como um grão de opala..
põe-na no coração, longe do olhar dos astros..
( Tristeza da Lua - Les Fleus du Mal -
Charles Pierre Baudelaire - Tradução de Pietro Nasseti )

